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O sequestro de um presidente nos primeiros passos de 2026

  • Foto do escritor: Luís Delcides
    Luís Delcides
  • há 24 horas
  • 3 min de leitura

Por Luís Delcides, Advogado e Jornalista.


Será 2026 o feliz ano velho, como está no título do livro do Marcelo Rubens Paiva? As coisas

estão bem esquisitas no novel ano: Um deputado de extrema-direita solta uma fake News

sobre o sorteio da Mega da Virada e, de forma abusiva e intolerante, critica o governo de

forma escrachada. E na manhã do sábado, o ataque do exército dos Estados Unidos à Caracas, capital da Venezuela que culminou no sequestro do Presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores.


Chocante acordar com essa notícia. Isso me fez adotar uma busca incansável por informações adequadas. O jornalismo brasileiro tem de tudo: copia e cola, opinião de gente preconceituosa e fora as classificações de valoração (ditadura, terrorismo...). O pior é ver os brasileiros postando sobre a Venezuela e colocando “ditador”, principalmente os pastores evangélicos.


Lembro de uma postagem de um pastor de uma grande igreja batista aqui em São Paulo. Ele é um líder de um projeto de comunidade virtual para abrigar os frequentadores de outros Estados e do Exterior desse imenso templo paulistano. O tal pastor publica um alerta para os crentes e frequentadores: “Nem tudo o que parece libertação vem de Deus/ impérios não se movem por compaixão. Se movem por interesse...” Até aí, muito bonito, interessante.


Nesse sentido, é preciso dar alguns passos para trás e lembrar dos textos publicados aqui no Código Aberto. O Rey Aragon, sempre, em seus escritos, coloca a possibilidade de ficarmos atentos, ter uma leitura critica sobre os fatos. Não é simplesmente fazer criticas rasas e até fazer coro com a mídia hegemônica: “ A Venezuela é uma ditadura”, como o próprio pastor fezem uma parte de sua postagem no instagram.


Aliás, pastores precisam estudar história, especialmente os fatos que envolvem a América

Latina. É muito raso dizer que o presidente Maduro é um ditador, ou seja: uma total entrega e credibilização a um discurso comercial-psicológico da mídia hegemônica. Opa, a quantidade de reservas de petróleo no mencionado país incomodou muito as petroleiras americanas Chevrone Exxon-Mobil que fazem pressão até o momento para explorar o petróleo venezuelano.


O dia do sábado foi impactante, principalmente as análises rasas de alguns jornalistas

especializados até as aulas ministradas por Susana Botár – aliás, uma moça super jovem, de

uma lucidez ímpar – que deu uma super aula sobre Venezuela no sábado à tarde no Diário do Centro do Mundo. Aliás, de todos os canais progressistas, a melhor cobertura foi a do DCM.


A análise mais marcante, muito cristalina, foi a do cientista político Samuel Braun, no domingo durante o DCM ao meio-dia. O especialista passou três horas explicando as situações que envolvem a questão da Venezuela e até mesmo a diferença da situação vivenciada entre a China e Taiwan.


Falar de Venezuela exige cuidado e lucidez. Parece que o presidente Trump dá algumas pistas que a próxima nação da vez será a Colômbia ou Cuba. O momento não é para opinião vazia ou travestida de sapiência, conselho espiritual misturada com juízos parcos de valor, especialmente ao chamar um presidente de ditador se este foi eleito pelo povo.


A segunda-feira amanhece com mais tensões. Reunião de emergência na Organização das

Nações Unidas para discutir a questão da Venezuela, Maduro desfilando dentro de uma van

que circulava pelas ruas de Nova York na noite de domingo e, de acordo com informações de alguns portais, o presidente venezuelano embarca em um helicóptero para uma audiência.


Ou seja, um total desrespeito ao direito internacional, principalmente a soberania dos Estados. Um outro Estado alienígena – estranho, que não é do presidente (gosto desse termo usado no direito) – julgará um presidente por causa de suposições. Para piorar, a Suíça, a vanguardista do Direito Internacional Humanitário, se posiciona de uma forma covarde com relação a ação americana na Venezuela e a sua incapacidade em denunciar uma grave violação ao direito internacional, conforme informações do site 20 minuten.

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