A distopia bolsofascista
- Redação

- 8 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Por Adriano Viaro
"Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos céus". Em interpretação livre, a passagem de Jesus encontrada no capítulo 5 do Evangelho de Mateus trata dos que são insultados e perseguidos por causa de sua fé.

Para os extremistas de direita do Brasil, a perseguição religiosa está instalada pela toga de Alexandre de Moraes. Porém, as reivindicações e defesas não raras são feitas com a constituição dos EUA, em detrimento da Bíblia.
É um festival de "lá é assim" que chega a colocar em discussão a capacidade cognitiva junto à falta total de patriotismo por parte dos fascistas de Jair Bolsonaro. A liberdade de expressão é reivindicada nos modelos do Tio Sam, além dos conceitos de democracia e autonomia dos poderes.
Citam as emendas da constituição estadunidense até mesmo em debates no nosso Congresso. Defendem a existência de partidos nazistas e sentem o desejo de uma espécie de autorização para odiar. Nossos fascistas rejeitam a cor vermelha como símbolo político, mas usam bonés vermelhos e ostentam a bandeira tricolor (vermelho, azul e branco) dos "irmãos do norte".
Os "branquíssimos" - conceito de Lia Vainer Schucman - vivem sob a luz do supremacismo branco dos EUA, numa clara movimentação de amor ao "segregacionismo estadunidense" (outrora política de Estado, e hoje base cultural). São desejosos de tudo, inclusive da liberdade de preconceito e discriminação.
São distópicos, pois sonham com um país soberano que não seja um país em si, mas um puxadinho dos EUA. Estou quase convencido de que o amor pelo Estado de Israel tem mais de inveja por eles serem um posto avançado dos EUA, do que pela construção histórica acerca da fé.
O bolsofascismo difere do fascismo clássico, sobretudo do europeu, pois não é nacionalista. Trata-se de uma continuação, ou resgate, dos idos da Colônia - quando os nascidos no Brasil não se diziam brasileiros, "colonos de Portugal".
São tolos, embrutecidos, vira-latas e subservientes ao gigante do norte. E por tal motivo, chamam de golpe tudo o que for diferente da preservação dos ideais dos outros.




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