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O xadrez das terras raras nas eleições já está sendo jogado

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    Redação
  • há 3 horas
  • 2 min de leitura

Tanto Ronaldo Caiado quanto Flávio Bolsonaro, ambos presidenciáveis de extrema direita que concorrerão contra o presidente Lula nas eleições de outubro, posicionaram-se neste fim de semana e nesta segunda-feira (30) como favoráveis a uma abertura irrestrita do mercado de terras raras do Brasil para o consumo dos EUA.

As falas, quase concomitantes, revelam a importância da pauta na perspectiva do governo de Donald Trump, que, entre tantos outros problemas, lida com uma escassez desses minerais por parte de fornecedores aliados.


Os EUA, por exemplo, negociaram a exploração de terras raras na Ucrânia e na Austrália ao longo de 2025, entre abril e outubro. As duas nações, por contextos diferentes, alinham-se aos interesses de Trump, seja pela guerra que ocorre em seu território, seja pela manutenção de um certo status de aliado de primeira ordem dos norte-americanos, importante no contexto da Oceania.


Já os dois maiores produtores de minérios críticos à indústria de tecnologia de ponta estão fora desse alcance, até o momento. A líder — e, de forma autoexplicativa, fora da zona de influência dos EUA — é a China. O segundo colocado, por sua vez, é o Brasil.


Esse cenário ilustrado já dá o tom da importância que essa dinâmica geopolítica terá na próxima legislatura, resultado do pleito deste fim de ano.


Além da promessa de acesso facilitado às terras raras, está, de modo implícito, o esforço que ambos devem fazer para conter o avanço das relações econômicas e de infraestrutura entre os governos brasileiro e chinês.


A potência asiática já é o maior parceiro comercial do Brasil, comprometeu-se com a construção da ferrovia bioceânica, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, cortando o território nacional, e vem competindo pela gestão de ativos logísticos, como no leilão do megaterminal de contêineres do porto de Santos, o Tecon 10.


Um avanço da parceria entre China e Brasil por mais quatro anos pode significar o estabelecimento de uma nova rota de escoamento de produção que rivalize com o Canal do Panamá, além de reforçar as parcerias já profundas entre duas grandes economias do mundo.


Uma derrota republicana nas eleições de meio de mandato, também no fim de 2026, tornaria o cenário ainda mais potencialmente desfavorável aos EUA na região.


Nessa dimensão, as promessas de anistia a Jair Bolsonaro, feitas também pelos dois candidatos nos últimos dias, parecem detalhes do jogo político. As candidaturas, seus posicionamentos e as eleições de 2026 já estão inseridas no xadrez internacional e na história do século 21.


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