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Não alimente o monstro: perca o medo das fake news e do terror psicológico pré-eleição

  • Foto do escritor: Luís Delcides
    Luís Delcides
  • há 6 horas
  • 2 min de leitura

Luís Delcides R. Silva - Advogado e jornalista



Respire fundo, conte até 10. Ande devagar e converse com os seus vizinhos. Se junte as pessoas do campo democrático e siga pra luta!

Não é errado ter medo, ele faz parte da vida e torna os sujeitos mais atentos e analíticos. Logo, nem todos tem a capacidade de análise. Alguns são reativos, especialmente quando há uma ameaça real e acabam priorizando respostas rápidas e irracionais.


Quinta-feira, depois das 18h00 foi um verdadeiro show de horrores. Gente ansiosa, necessitada de um suco de maracujá bem forte ou de umas folhinhas de erva-cidreira, resolveram espalhar chamadas da folha de São Paulo, que colou o verbo “Determinam”, plural do presente do indicativo.


Já , o G1, resolveu enfiar o “declarar” (no tempo verbal infinitivo)  e a CNN Brasil cravou o “Classificam” no tempo plural do presente do indicativo. Logo, estava escrito: Querem classificar. “Ah, mas havia um documento oficial dos Estados Unidos...” Sim. Logo, o documento foi redigido por Marco Rúbio, secretário de Estado dos EUA.


Ou seja, ao trazer a baila trecho de um texto do Rey Aragon, “Como fabricar uma eleição pelo medo”, as operações psicológicas produzem reação e capturam a atenção. Elas, antes de mudar as opiniões, organizam as emoções. Assim, as campanhas baseadas nas emoções procuram sempre alterar estados emocionais.


Por isso que as operações psicológicas elas geram pânico e utilizam-se de verbos de ação – determinam, declarar, classificam. O jornalismo também se utiliza de narrativas e estas não são erradas O problema está nos efeitos, a ausência de checagem das informações.


No entanto, é preciso atentar-se a produção midiática de personalidades, políticos sensacionalistas e principalmente dos perfis falsos. Estes impulsionam o pânico, tocam o terror ao mencionar situações corriqueiras como:  fechamento de igrejas, confisco de poupança e questões ligadas a segurança pública.


Guarde esse texto, imprima, cole na geladeira. Sempre que bater a ansiedade eleitoral, leia. Não dê atenção a jornalismo apocalíptico. Se você ouvir sons estranhos em sua casa, cuidado: é apenas uma porta que você esqueceu de colocar óleo nas dobradiças.


Um outro cuidado são os grupos de Whatsapp, principalmente as listas de transmissão! Elas se tornam caixas de ressonância para a tempestade de noticias falsas, para o pânico. Aliás, é uma forma de reorganizar as emoções e sinalizar poder.


Nesse sentido, o conselho é: leia o texto todo!  Não fique apenas no título e na linha fina (aquele resuminho abaixo do título). Informações importantes podem estar no decorrer dos parágrafos. “Ah, não tenho tempo!” 5 minutos não faz mal pra ninguém e nem você perderá o ônibus por causa de uns minutinhos. 


Outra dica muito interessante: atenção aos títulos. Muito cuidado com as notícias com os dizeres “risco de golpe”, elas geram cansaço e desmobilização. Igual quando se fala muito sobre ódio! É preferível atentar e consumir notícias sobre regras, prazos, instituições. Caso a manchete mexa com suas emoções, ignore-a.


Ou seja: não tenha medo das eleições 2026, o temor foi elaborado em um laboratório. É um projeto, pois o neofascismo trabalha com ativação de ameaças existenciais. E o jornalismo, com suas verves sensacionalistas – especialmente os da mídia hegemônica e alguns portais de esquerda pilhados pelo momento – amplificaram o eco.


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